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Nacional

Deputados comentam decisão de Moraes de validar maior parte do decreto sobre IOF

16 de julho de 2025
Deputados comentam decisão de Moraes de validar maior parte do decreto sobre IOF
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16/07/2025 – 19:58  

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Deputados na sessão do Plenário desta quarta-feira

Deputados de partidos da oposição criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retomou a validade da maior parte do decreto do governo para elevar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Já parlamentares da base governista chamaram de equilibrada a atuação do ministro.

O único trecho suspenso por Moraes no decreto trata das operações chamadas de risco sacado, modalidade de crédito em que bancos antecipam valores para varejistas que venderam a prazo.

O ministro é o relator das ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) 7.827 e 7.839 e das ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) 96 e 97, que discutem a validade dos decretos presidenciais sobre o tema.

O 1º vice-presidente da Câmara, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), disse estar se “sentindo muito mal” como parlamentar depois da decisão de Moraes. “Isso é uma desmoralização para o Congresso. Precisamos tomar atitudes para defender as prerrogativas do Congresso”, declarou.

Para o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), é um absurdo a Câmara e o Senado serem desmoralizados para atender o pedido do Executivo. “Brasileiros, o ministro Alexandre de Moraes acaba, na caneta, de aumentar o imposto de todos nós para ajudar o governo”, reclamou.

Ele sugeriu que a Câmara não vote mais nada em favor do Judiciário enquanto o Congresso não for respeitado. “Até quando seremos capacho de outro Poder?”, questionou.

O líder do Novo, deputado Marcel van Hattem (RS), classificou como “ataque institucional” a decisão. “É preciso colocar o STF no seu devido lugar. E o seu devido lugar é dentro da Constituição, e não fora dela”, afirmou.

Segundo o deputado Mauricio Marcon (Pode-RS), a atitude “vergonhosa” de Moraes sugere que ele seria maior que o Congresso. “Foram 383 votos na Casa do Povo que decidiu, constitucionalmente, que o IOF não deveria ser cobrado”, declarou, ao citar a aprovação na Câmara dos Deputados de proposta para suspender os efeitos dos decretos federais sobre o IOF no final de junho.

Prerrogativa
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), vice-líder do governo, afirmou que o Supremo apenas reconheceu uma prerrogativa do presidente da República em editar decreto sobre operações financeiras. “Não adianta espernear. O presidente da República também foi eleito. Precisamos valorizar e parabenizar o Supremo”, disse.

Para o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), a decisão de Moraes foi equilibrada e reconhece o poder do presidente da República.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Lula fez as alterações no IOF a partir de prerrogativas previstas na Constituição e que o Congresso derrubou essas prerrogativas. “Quem vai dizer quem tem razão é o Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula foi ao STF, e o ministro Moraes disse que era prerrogativa com exceção de um ponto”, explicou.

Rogério Correia disse que o Congresso “pode muito, mas não tudo”.

Na opinião da líder do Psol, deputada Talíria Petrone (RJ), o decreto aprovado no Congresso era inconstitucional. “Em termos formais, o Supremo cumpriu seu papel. Em termos morais, isso é bom para o povo”, disse.

Conciliação
Uma tentativa de conciliação convocada por Moraes terminou sem acordo na terça-feira (15). Antes disso, em 4 de julho, Moraes concedeu liminar suspendendo os decretos presidenciais 12.466, 12.467 e 12.499, que aumentavam o IOF em 2025 e o Decreto Legislativo 176, aprovado pelo Congresso Nacional para anular os decretos presidenciais.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Assuntos Nacional
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