quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Paula Litaiff

Café com Poder reúne mulheres do Judiciário, Jornalismo e universidades em Manaus

Evento “Café com Poder” reuniu representantes do Judiciário, universidades, jornalismo e sociedade civil para discutir os desafios da equidade de gênero e a ampliação da participação das mulheres em posições de liderança
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Em um cenário em que as mulheres ampliam sua participação profissional, mas ainda enfrentam barreiras para chegar aos principais espaços de decisão, lideranças do sistema de Justiça do Amazonas, da comunidade acadêmica e científica, do jornalismo e da sociedade civil reuniram-se no evento “Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência”, realizado no auditório Sônia Barreto, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em Manaus.

Idealizado pelo Instituto Newman Educational, com sede nos Estados Unidos, o encontro teve como anfitriã a desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Mirza Telma Cunha e colocou no centro do debate a representatividade feminina, a educação e os obstáculos que ainda dificultam o acesso das mulheres às posições de comando.

Participaram da programação a desembargadora do TJAM Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques; as juízas Laura Maria Santiago Lucas e Lídia de Abreu Frota, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM); e a diretora da Ouvidoria da Mulher do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Ana Paula Aguiar.

A academia também esteve representada pela vice-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), médica Kátia do Nascimento Couceiro, e pelo coordenador do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Adriano Ferreira. A programação contou ainda com representantes da área educacional, religiosa e da sociedade civil.

No jornalismo amazonense, participaram como palestrantes a diretora-geral da REVISTA CENARIUM, jornalista Paula Litaiff; a correspondente especial da TV Globo na Rede Amazônica, Daniela Branches; e a editora do Portal Amazonas1, Emília Picanço.

Educação como instrumento de transformação

Representante do Instituto Newman Educational, Erleide Parente defendeu que o enfrentamento das desigualdades entre homens e mulheres precisa estar associado a políticas permanentes de educação.

“Só é possível falar de equidade de gênero se houver a educação como principal instrumento de ação social, porque é através da educação que pode se transformar toda uma sociedade. O evento ‘Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência’ tem essa proposta de trabalho”, afirmou.

Anfitriã do encontro, a desembargadora Mirza Telma Cunha destacou a importância de iniciativas capazes de fortalecer a união entre mulheres e criar referências para aquelas que buscam ocupar posições de liderança.

Segundo a magistrada, encontros dessa natureza ajudam a gerar empatia e fortalecimento coletivo, estimulando mais mulheres a ingressarem nos espaços de poder e decisão.

O desafio de romper o “teto de vidro”

A desembargadora Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques apresentou a palestra “Rompendo Teto de Vidro”, expressão utilizada para representar as barreiras, muitas vezes invisíveis, que dificultam a ascensão das mulheres aos níveis mais elevados das estruturas profissionais e institucionais.

Para a magistrada, embora os desafios permaneçam, há avanços que podem ser observados em diferentes áreas.

“Se olharmos bem, estamos conseguindo avançar. Em todas as áreas, na jurídica, na médica e em tantas outras, vemos as mulheres conquistando cada vez mais espaço e tendo um retorno positivo da sociedade”, declarou.

Os números, porém, mostram que a presença feminina ainda diminui à medida que aumentam o poder e a responsabilidade dos cargos.

Dados citados no encontro apontam que, apesar de representarem mais da metade da população e do eleitorado brasileiro, as mulheres continuam sub-representadas em diferentes estruturas de decisão política e institucional.

O Global Gender Gap Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, também foi citado para contextualizar o cenário brasileiro. No levantamento, o Brasil apareceu na 72ª posição no ranking mundial de igualdade de gênero, com índice de 72% de paridade, revelando que permanecem diferenças importantes, sobretudo na participação econômica e nos espaços de poder.

“Diferença abissal”

A juíza Laura Lucas, do TRE-AM, chamou atenção para a distância que ainda existe entre homens e mulheres nas posições de comando.

“Um evento como esse é muito importante porque, apesar de todas as evoluções legislativas e de alguns avanços das mulheres ocupando cargos de liderança e gestão, nós ainda temos uma diferença abissal em relação à presença masculina nesses espaços”, afirmou.

Laura também defendeu que a discussão sobre equidade não seja restrita às mulheres.

“Acho que esses debates precisam ter também a participação dos homens. Tanto homens quanto mulheres precisam estar envolvidos nessa luta para que alcancemos a verdadeira igualdade de gênero”, declarou.

Liderança, gestão e empatia

Vice-reitora da UEA, Kátia do Nascimento Couceiro abordou a relação entre liderança e empatia. Para ela, características como sensibilidade, capacidade de gestão e compromisso também precisam ser consideradas quando se discute a presença feminina nos espaços de comando.

“A gente vai discutir alguns temas importantes, como empatia, sensibilidade, liderança e compromisso. Acredito que a mulher tem um toque especial nesse sentido, quando se fala em comandar pessoas”, afirmou.

Kátia ressaltou ainda o valor da troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas.

“Acredito que a gente só vai acrescentar, somar e aprender um pouco mais com as outras colegas”, declarou.

Jornalismo, ciência e representatividade

Durante sua participação, a diretora-geral da REVISTA CENARIUM, Paula Litaiff, destacou a diversidade de áreas representadas no encontro e o trabalho da organizadora Erleide Parente na construção de um debate envolvendo Judiciário, Legislativo, academia, comunicação e sociedade civil.

“Quero destacar o trabalho da organizadora Erleide Parente, que reuniu membros do Judiciário, do Legislativo e pessoas que representam a sociedade civil para abordar a equidade de gênero, principalmente no Amazonas e na Amazônia. Foi importante acompanhar as experiências e vivências das magistradas, administradoras e jornalistas”, afirmou.

Na palestra, Litaiff também destacou a contribuição de pesquisadoras amazonenses para os estudos de gênero, citando Marilene Corrêa e Iraildes Caldas Torres, referência na área na Universidade Federal do Amazonas e integrante do conselho editorial da REVISTA CENARIUM.

A jornalista ressaltou que a abordagem do tema nos conteúdos jornalísticos deve estar sustentada por pesquisas, dados e produção científica.

“Sempre buscamos referências quando se trata de gênero e evitamos qualquer abordagem que não tenha fundamentação científica ou de estatísticas”, disse.

Litaiff também abordou a relação entre gênero, raça e desigualdade social ao citar o pensamento da escritora Conceição Evaristo e questionar a utilização da meritocracia como explicação isolada para trajetórias profissionais bem-sucedidas.

“Usar trajetórias individuais de pessoas que venceram na vida como ‘exemplo’ de meritocracia é uma armadilha, porque a desigualdade de gênero se agrava mais quando a mulher é da periferia negra e indígena”, afirmou.

Experiências que inspiram novas trajetórias

A importância de compartilhar experiências também foi ressaltada pela diretora da Escola Legislativa do Amazonas, Mariele Andrade.

“Para mim é uma honra estar no ‘Café com Poder’, perto de mulheres de liderança, mulheres que inspiram. É gratificante aprender com a história de cada uma. Nós sabemos o quanto a mulher ainda precisa lutar para ocupar seu espaço”, afirmou.

A programação reuniu palestras e painéis sobre liderança, mercado de trabalho, educação, inovação e gestão.

Representando a presidente do TCE-AM, conselheira Yara Amazônia Lins Rodrigues, Ana Paula Aguiar apresentou a palestra “Mulheres no Comando e o Futuro do Trabalho”. Kátia Couceiro participou com o tema “Gestão e Empatia”.

O painel “Equidade e Excelência em Educação e Liderança” reuniu Laura Lucas e representantes da área educacional. A programação incluiu ainda “Inovação e Parcerias Estratégicas para o Crescimento”, com a participação da juíza Lídia de Abreu Frota.

Reconhecimento às participantes

Ao final do “Café com Poder: Mulheres Líderes – Equidade e Excelência”, as palestrantes receberam certificados em reconhecimento à participação e às contribuições apresentadas durante os debates.

As certificações foram chanceladas pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, Instituto Newman Educational e Universidade Federal do Amazonas.

A cerimônia encerrou uma programação dedicada não apenas a reconhecer trajetórias profissionais femininas, mas também a ampliar a discussão sobre as condições necessárias para que mais mulheres tenham acesso aos espaços de liderança.

Ao reunir representantes de diferentes instituições e áreas profissionais, o encontro reforçou a equidade de gênero como uma questão que ultrapassa a representatividade numérica e envolve educação, oportunidades, reconhecimento profissional e participação efetiva das mulheres nas estruturas onde são tomadas as decisões que impactam a sociedade.