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Fazenda eleva projeção de crescimento do PIB e reduz estimativa de inflação para 2025

11 de julho de 2025
Fazenda eleva projeção de crescimento do PIB e reduz estimativa de inflação para 2025
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Resultado de revisões da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a elevação da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para 2025, de 2,4% para 2,5%, e a redução da estimativa de inflação para o ano, medida pelo IPCA, de 5% para 4,9%, são os principais destaques da edição de julho do Boletim Macrofiscal , divulgado nesta sexta-feira (11/7). O documento foi apresentado em entrevista coletiva, na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, com a participação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, e das subsecretárias de Política Macroeconômica, Raquel Nadal, e de Politica Fiscal, Débora Freire.

Tópicos da matéria
Elevação de tarifa pelos EUA Aumento da atividade econômica

“As expectativas de mercado, recorrentemente, têm iniciado um pouco descoladas das expectativas da SPE, mas, via de regra, o que tem acontecido ao longo do tempo é que as expectativas de mercado têm convergido para as da Secretaria de Política Econômica”, ressaltou Guilherme Mello. O secretário destacou que essa convergência das expectativas do mercado com as previsões da SPE vem ocorrendo de forma consistente nos dois últimos anos.

A elevação da projeção de crescimento do PIB se deve, de acordo com o documento da SPE, “à resiliência do mercado de trabalho no segundo trimestre, levando à expectativa de desempenho melhor que o inicialmente esperado para o consumo das famílias nos próximos meses, apesar da política monetária restritiva”. Para os anos seguintes, a projeção é de crescimento próximo a 2,6% ao ano. O boletim aponta que a expectativa para o PIB do segundo trimestre de 2025 é de desaceleração, para 0,6% na margem trimestral.

Já a revisão da expectativa de inflação, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), reflete a taxa abaixo da esperada em maio e junho, além de revisões no cenário à frente, em razão, principalmente, da valorização projetada do real frente ao dólar. O documento indica que, para 2026, a projeção do IPCA se manteve constante em 3,6%, dentro do intervalo da meta de inflação. De 2027 em diante, é esperada a convergência da inflação ao centro da meta. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, a projeção caiu de 4,9% para 4,7%, enquanto , para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), diminuiu de 5,6% para 4,6%.

Elevação de tarifa pelos EUA

Guilherme Mello salientou que essas projeções ainda não consideram os impactos potenciais da elevação na tarifa de importação dos Estados Unidos para o Brasil, de 10% para 50%. Ele lembrou que o Brasil diversificou de forma expressiva a pauta exportadora e os parceiros comerciais, o que confere melhores condições para o redirecionamento comercial. Mello explicou ainda que o impacto da medida deve ser concentrado em alguns setores específicos, “influenciando pouco a estimativa de crescimento em 2025”.

Mello afirmou que é possível haver “algum impacto macro, mas não como [seria] há 20 anos”, quando – ele pontuou – o Brasil era mais dependente do mercado dos Estados Unidos.  “Mantidas as tarifas, alguns setores devem ser mais afetados”, disse, destacando os produtos manufaturados, que enfrentam maior dificuldade de redirecionamento de mercado em comparação aos produtos básicos. Segundo Mello, seria “muito precoce” avaliar neste momento o eventual impacto inflacionário das medidas do governo norte-americano.

O secretário de Política Econômica assinalou ainda que a elevação da tarifa, medida que passará a valer em 1º de agosto, pode ter efeito deflacionário, em razão da queda de preços no mercado interno brasileiro. Isso porque a elevação – em alguns casos “proibitiva” para as exportações – poderia gerar uma maior oferta doméstica de produtos como carne, café e suco de laranja, destaques nas vendas nacionais aos Estados Unidos.

As exportações correspondem a cerca de 18% do PIB brasileiro. Do total exportado, aproximadamente 12% destinam-se aos Estados Unidos, ou seja, 2,16% do PIB. Produtos básicos correspondem à maior parcela dos itens exportados, com destaque para óleos brutos de petróleo, ferro, aço, celulose, café, suco de laranja e carne bovina. Alguns itens manufaturados também desempenham papel relevante na pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos, como aeronaves e máquinas para o setor de energia.

Aumento da atividade econômica

O documento da SPE atesta que, no mercado de trabalho, o ritmo de crescimento interanual da população ocupada voltou a subir de março a maio, levando a uma nova queda na taxa de desemprego, de 6,5% em março para 6,1% em maio. Não só o desemprego caiu no período, como também houve alta na taxa de participação e queda nas taxas de subutilização e informalidade. O Brasil – destacou a subsecretária Raquel Nadal – está gerando “novos empregos e empregos com qualidade”.

No mercado de crédito, a desaceleração no ritmo de expansão das concessões bancárias continuou, agora acompanhada por uma menor taxa de crescimento de emissões de debêntures. A média móvel trimestral da variação interanual das concessões de crédito seguiu recuando de março a maio, principalmente para pessoas físicas.

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