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Alimentação, lazer e bem-estar emocional: saiba como cuidar da saúde das crianças durante o recesso escolar

14 de julho de 2025
Alimentação, lazer e bem-estar emocional: saiba como cuidar da saúde das crianças durante o recesso escolar
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Sol, praia, viagens e uso de telas exigem atenção redobrada de pais e responsáveis

Tópicos da matéria
Respirar bem também ajuda no brincar Comer fora da rotina, mas sem exageros Memórias, vínculos e afeto em dia Sol, calor e pele protegida

As férias escolares representam um momento de descanso e lazer para crianças e adolescentes, mas também exigem vigilância constante por parte dos pais e responsáveis. Seja em casa, em viagens ou em locais como praias, piscinas e áreas de mata, diferentes aspectos da saúde infantojuvenil merecem atenção. Para ajudar os cuidadores, profissionais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) compartilham orientações sobre alimentação, exposição ao sol, bem-estar emocional e prevenção de acidentes.

A pediatra Milena Porfírio, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), argumenta que o número de casos de insolação, desidratação, afogamentos e até incidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões, tende a aumentar nesse período. “Crianças nunca devem ficar sozinhas ou sem supervisão por tempo indeterminado. Isso não significa superproteção, mas uma vigilância proporcional ao estágio de desenvolvimento da criança. O cérebro humano só se desenvolve por completo por volta dos 21 anos. Antes disso, a capacidade de avaliar riscos é limitada”, explica.

Entre as principais precauções, Milena sugere manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance, acompanhar o uso de escadas por crianças pequenas, secar o chão para evitar escorregões e incentivar a higiene das mãos. Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de medicamentos. “A automedicação pode mascarar sintomas importantes. O ideal é procurar o pediatra sempre que surgirem sinais como febre, vômitos ou lesões na pele. Além disso, ao viajar, é possível montar um kit de primeiros socorros com a ajuda do médico da criança”, indica.

Respirar bem também ajuda no brincar

Juliana Castanheira, pneumologista pediátrica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), comenta que as férias costumam trazer redução nas infecções respiratórias virais, devido à menor permanência em ambientes fechados. “Com menos aglomerações, como em creches e escolas, e mais atividades ao ar livre, observamos uma queda nos casos de resfriados, por exemplo”, afirma.

Apesar da melhora, ela ressalta que vírus como o Vírus Sincicial, Influenza e Rinovírus continuam circulando e podem desencadear bronquiolites, crises de asma ou sintomas mais intensos, como pneumonia viral. Por isso, aconselha manter as vacinas atualizadas, priorizar espaços bem ventilados e oferecer líquidos com frequência. “Bebês devem ser protegidos de aglomerações, e os pais precisam observar sinais como febre persistente, dificuldade para respirar e sonolência excessiva”, acrescenta.

Comer fora da rotina, mas sem exageros

Nas férias, é comum que os hábitos alimentares saiam do padrão. O nutricionista Michel Garcia, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), alerta que a quebra da rotina pode levar ao consumo excessivo de doces, frituras e alimentos industrializados. “Os pais devem manter uma base de alimentação saudável com frutas, legumes e refeições completas. O equilíbrio é essencial: é possível flexibilizar, mas sem perder o controle”, frisa.

Garcia também propõe manter horários regulares para as refeições e envolver a criança no preparo dos alimentos como estratégia de educação alimentar. “Quando a criança participa do preparo, ela se envolve mais com escolhas saudáveis e aprende sobre os alimentos de forma divertida”, salienta. Com o aumento das temperaturas, ele reforça a necessidade de intensificar a hidratação com água, sucos naturais e água de coco, evitando bebidas açucaradas.

Memórias, vínculos e afeto em dia

As férias também são um momento propício para criar memórias afetivas e fortalecer laços familiares. A psicóloga Yadja Gonçalves, do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC), considera o período estratégico para o desenvolvimento emocional das crianças. “O lazer favorece a criatividade, a redução do estresse e a formação de vínculos sólidos. A convivência familiar, quando baseada no respeito, no apoio emocional e na escuta atenta, tem impacto direto no bem-estar dos pequenos”, pontua.

Contudo, ela adverte que a quebra da rotina pode gerar ansiedade, isolamento social, irritabilidade ou alterações no sono e na alimentação. Diante disso, recomenda que os responsáveis fiquem atentos a mudanças comportamentais, como choro excessivo, apatia ou reações desproporcionais. “É importante planejar o tempo das crianças, com flexibilidade e cuidado”, declara.

Para Yadja, investir em brincadeiras criativas, passeios ao ar livre, atividades manuais e jogos em grupo contribui para um descanso mais saudável. “Momentos de convivência sem distrações tecnológicas, com atenção e presença reais, oferecem segurança emocional. Propor experiências significativas com base nos valores da família e da comunidade é uma atitude simples, mas transformadora”, conclui.

Sol, calor e pele protegida

Durante as férias, a maior exposição ao sol e à umidade aumenta a incidência de problemas de pele entre as crianças. A dermatologista Rossana Veiga, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), observa que quadros como brotoejas, micoses, queimaduras solares e infestações como o bicho-geográfico (larva migrans) são mais comuns no verão. “Essas condições aparecem com mais frequência em locais de aglomeração e contato com areia ou água contaminada”, enfatiza.

Ela garante que o uso de protetor solar é indispensável, mesmo em dias nublados. “O fotoprotetor deve ser aplicado antes de sair de casa e reaplicado a cada duas horas ou após o contato com a água, mesmo nos produtos resistentes”. Protetores formulados especialmente para a pele infantil são os mais indicados.

Entre as recomendações adicionais, estão o uso de roupas leves, de preferência de algodão, chapéus e sombrinhas, além de evitar o sol entre 10h e 16h. Também é essencial hidratar a pele com loções suaves após o banho e garantir uma boa ingestão de líquidos. “É preciso evitar banhos em excesso, principalmente com sabonetes agressivos ou buchas, que removem a camada protetora natural da pele, causando ressecamento e coceiras”, finaliza.

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Sobre a Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Por George Miranda, com edição de Ludmila Wanbergna
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh

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