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Governo

“Os saberes e expressões tradicionais e populares são fundamentais para a cultura brasileira”, afirma ministra

17 de setembro de 2025
“Os saberes e expressões tradicionais e populares são fundamentais para a cultura brasileira
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Os conhecimentos ancestrais e o papel das comunidades tradicionais na construção de um futuro justo e sustentável serão debatidos no Seminário Internacional Culturas Tradicionais e Populares e Justiça Climática: Diálogos Globais, Conhecimentos Locais, que foi aberto nesta quarta-feira (17), em Brasília (DF). A cerimônia no Teatro Cláudio Santoro contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes; da secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg; e do diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, Tião Soares; entre outras autoridades da Pasta, além da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

Tópicos da matéria
Ações Justiça climática OMC Apresentações Conferência Encontro Participantes Realização Serviço:

Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), o Seminário será um espaço de diálogo sobre as relações entre as culturas tradicionais e a justiça climática. Participam mestras, mestres, grupos culturais, gestores públicos e pesquisadores culturais do Brasil e de outros países. A programação terá sequência de amanhã (18) até sábado (20) na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO).

“Os saberes e expressões tradicionais e populares são fundamentais para a cultura brasileira, representando uma herança ancestral viva, apesar de historicamente negligenciada. As comunidades detentoras desses saberes, como povos indígenas, quilombolas, o povo negro e ciganos têm sido as mais afetadas por violências como o racismo ambiental e a exploração. Diante disso, este seminário assume o compromisso com a preservação e salvaguarda dos mestres e mestras da cultura, propondo um espaço de diálogo guiado pela justiça social e reparação histórica, onde o protagonismo dessas comunidades exige uma escuta atenta e comprometida”, afirmou a titular da Cultura.

Ações

O MinC tem o compromisso com a valorização e preservação dos conhecimentos e fazeres ancestrais do povo brasileiro. Nesse sentido, tem atuado, por meio da SCDC, na construção de uma Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares, conduzida por um Grupo de Trabalho composto por 18 ministérios e a sociedade civil. Para ampliar a participação social nesse processo, estão sendo realizadas as Escutatórias Culturais pelo Brasil, encontros virtuais e presenciais com representantes desse segmento.

Outra iniciativa é a criação da Bolsa Cultura Viva para Mestras e Mestres, que poderá ser concedida pelos entes federados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura destinados a execução da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV). Além disso, pelo menos 30% das vagas nos editais da Cultura Viva lançados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura devem ser destinadas a Pontos e Pontões com trajetória declarada e comprovadamente ligados às culturas tradicionais e populares.

Destacam-se ainda a recente inclusão da categoria Culturas Populares e Tradicionais na plataforma de cadastro e acompanhamento dos projetos culturais financiados com recursos da Lei Rouanet e parceria entre os ministérios da Cultura e da Educação que vai potencializar a circulação, a produção e a difusão das culturas afro-brasileiras, indígenas e africanas nas escolas públicas.

Justiça climática

A ministra da Cultura também ressaltou que não há caminho possível para a justiça climática sem a presença ativa das culturas tradicionais e populares. “Justiça climática significa compreender que a proteção dos biomas é inseparável da proteção dos territórios e dos direitos das comunidades que os habitam e defendem. Porque, sem terra, também não há cultura. E sem natureza, sem meio ambiente, também não há cultura popular e tradicional”, frisou.

A secretária Márcia Rollemberg, salientou a importância da valorização da nossa terra nesse momento de discussão sobre temas como a justiça climática. “Sabemos que as populações que vivem situações de maior vulnerabilidade, desigualdade, são as mais afetadas por isso. Sabemos que a relação das mestras e mestres com a natureza é como parte dessa natureza, é a relação de harmonia, é uma relação solidária, é uma relação pelo bem viver e é com vocês que temos que aprender. Todo o Sistema MinC está unido por essa pauta”, comentou.

Já Tião Soares enfatizou a importância da valorização dos mestres e mestras, que com seus conhecimentos milenares, perpetuam saberes e práticas que sustentam suas comunidades.

“Eles são o elo vital que une as gerações, que mantém vivas as memórias, que ensinam a conexão e conectam profundamente os termos com a terra, com as águas, com as florestas, com a agroecologia, com os povos originários. Neste seminário é essencial abordarmos a justiça climática, que não pode ser dissociada das desigualdades sociais e do racismo ambiental. Para cada mestra e mestre que se ergue contra a degradação ambiental, há um cotidiano repleto de desafios e violações. Esses defensores e essas defensoras das águas e das florestas enfrentam um sistema que muitas vezes os negligencia, mas que agora se vê chamado a respeitar suas rosas e valorizar seus conhecimentos e a sua sabedoria”, observou.

A ministra Macaé Evaristo lembrou que o encontro representa um importante passo para avançarmos na construção de uma agenda para justiça climática e destacou o papel da cultura.

“E a gente sabe que nós não faremos isso se não protegermos o que tem de mais importante em cada pedacinho desse nosso planeta, que é a dignidade humana, de todas as espécies. Que possamos construir um outro jeito de ser e de estar nesse mundo. E, com certeza, não fazemos isso se não pudermos exercer o nosso direito a ser fazedores e produtores de cultura. Sem cultura, a gente não se humaniza. Sem cultura, não construímos a dignidade”, destacou.

OMC

Durante a cerimônia houve a entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC) à pesquisadora e professora é especialista em fitoterápicos e curas tradicionais, raizeira, geoterapeuta e conselheira da Rede Cerrado Lucely Morais Pio, da comunidade quilombola do Cedro, em Mineiros (GO).
A honraria também foi concedida ao escritor, artista, arte-educador, geógrafo e curador brasileiro e ativista dos direitos indígenas da etnia Makuxi Jaider Esbell (em memória). Ambos foram agraciados com a medalha Grau Cavaleiro.

Apresentações

Na abertura, os participantes puderam conferir apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e do percussionista Lucas dos Prazeres (PE) e do grupo cultural Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF).

Conferência

A poeta e artesã quilombola do Jalapão (TO), Ana Mumbuca, fez a conferência de abertura do encontro com mediação da secretária Márcia Rollemberg. Durante a conversa, a partir do tema povos e comunidades tradicionais, ela falou sobre o segmento ao qual pertence.

“Primeiro gostaria de dizer que não somos descendentes de escravos. A escravidão, um dos atos mais covardes cometidos por humanos, não pode ser um marco de descendência. Nenhuma pessoa de pele branca se declara como descendente de escravagista. Somos, sim, descendentes de africanos”, realçou Ana, que é também diretora de Proteção Quilombola da secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins.

Encontro

O Seminário integra o 25º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, realizado no mesmo período, e com participantes do Brasil, Peru, Paraguai, Uganda, Cabo Verde e Austrália. Durante três dias serão realizados nove painéis, que trarão debates importantes, especialmente com a aproximação da COP 30, programada para novembro. A programação inclui ainda rodas de conhecimento e prosa, oficinas, feiras, exposições, shows musicais e outras manifestações culturais.

Participantes

Do Sistema MinC também estiveram presentes na solenidade o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares; os secretários Fabiano Piúba (Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura) e Roberta Martins (Articulação Federativa e Comitês de Cultura), e os presidentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass; e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Fernanda Castro.

Participaram ainda o secretário-executivo do Ministério do Empreendedorismo da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Tadeu Olenka; a secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Hedel Moraes; o secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Laudemar Aguiar, além de mestres e mestras da cultura.

Realização

O Seminário Internacional Culturas Tradicionais e Populares e Justiça Climática é uma realização do MinC, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da Casa Cavaleiro de Jorge, com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Governo do Distrito Federal.

Serviço:

Programação

Painéis do Seminário Internacional Culturas Tradicionais e Populares e Justiça Climática
Data: 18 a 20 de setembro (quinta-feira a sábado)
Horário: das 10h às 18h
Local: Vila de São Jorge, Chapada dos Veadeiros
Clique aqui para acessar a programação

Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
Data: 18 a 20 de setembro (quinta-feira a sábado)
Confira a programação completa

Assuntos Governo
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