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Governo

Presidente afirma que G20 pode liderar Mapa do Caminho para fim dos combustíveis fósseis

22 de novembro de 2025
Presidente afirma que G20 pode liderar Mapa do Caminho para fim dos combustíveis fósseis
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Para Lula, novo modelo econômico deve emergir do grupo, e propõe inversão de prioridades para financiar a resiliência global

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O presidente Lula defendeu na Cúpula de Líderes do G20, na África do Sul, que o grupo assuma o protagonismo na elaboração de um Mapa do Caminho para a transição energética e o abandono progressivo da dependência de combustíveis fósseis.

Em seu discurso na Sessão II do evento, neste sábado (22/11) em Joanesburgo, o líder brasileiro destacou que o G20, responsável por 77% das emissões globais, seria essencial para que essa estratégia, proposta pelo Brasil na COP 30, em Belém (PA), ganhe escala e se concretize.

Só haverá transição justa se o G20 liderar o caminho. É do G20 que um novo modelo de economia deve emergir. O grupo é ator-chave na elaboração de um Mapa do Caminho para afastar o mundo dos combustíveis fósseis. A COP 30 mostrou que o mundo precisa enfrentar esse debate”, afirmou Lula

Para ele, a mudança do clima é um “desafio de planejamento econômico” e não apenas questão ambiental.

O presidente brasileiro destacou que a transição energética e a resiliência climática exigem inversão nas prioridades de financiamento.

É inconcebível que não sejamos capazes de mobilizar 1 trilhão e 300 bilhões de dólares em financiamento climático, enquanto o dobro desse montante é consumido por despesas militares”, comparou

Para ele, a  construção de resiliência climática, que envolve, entre outros, a adaptação de infraestruturas como rodovias e linhas de transmissão, deve ser tratada com prioridade, mas com atenção aos desdobramentos humanos. 

“Um mundo resiliente não se faz apenas com infraestrutura. Quando alguém é atingido por um evento extremo, são as políticas públicas que o ajudam a se reerguer. Contudo, cerca de metade da população mundial não conta com proteção social. Quase 700 milhões ainda sofrem com a fome. Construir resiliência não é gasto, é investimento”. 

Leia também
• Lula no G20: é hora de declarar a desigualdade uma emergência global
• Lula tem encontro com chanceler da Alemanha, Friedrich Merz

Ao alinhar a pauta ambiental à social, Lula reiterou o compromisso do Brasil em garantir que a transição energética proteja as populações mais vulneráveis e que historicamente menos contribuíram para a crise global. 

“Vai contra nosso sentido mais elementar de justiça permitir que as maiores vítimas da crise climática sejam aquelas que menos contribuíram para causá-la”, reforçou, ao listar propostas trabalhadas durante a COP 30, em Belém, que envolvem o fortalecimento da proteção, o apoio a pequenos produtores e a garantia de vida sustentável a comunidades que vivem nas florestas, inclusive por meio do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil durante o evento na capital paraense.

Ao concluir, o presidente cobrou dos colegas do G20 ações no presente e citou o líder sul-africano Nelson Mandela para um convite à ousadia.

O G20 pode proteger cadeias alimentares por meio de medidas como compras públicas e seguros rurais. Também pode remunerar quem preserva as florestas por meio do Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Como nos ensinou Mandela, tudo parece impossível até que seja feito. A hora de fazer é agora.”

Íntegra do discurso do presidente Lula

Emergência global

Mais cedo, na primeira sessão do G20 neste sábado, Lula defendeu que é hora de declarar a desigualdade uma emergência global. Ele propôs mecanismos inovadores, como a troca de dívida por desenvolvimento e ação climática e a taxação dos super-ricos. O presidente também teve uma reunião bilateral como chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. 

Contexto – Criado em 1999, após a crise financeira asiática, o G20 se tornou uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo em 2008. Atualmente, representa mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 75% do comércio internacional e 60% da população do planeta. 

Prioridades

A África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: Fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; Sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; Financiamento para a transição energética justa; e Minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico. 

Comércio – Os países do G20 desempenham papel fundamental nas redes globais de comércio. Eles não apenas são grandes exportadores e importadores, mas destinos frequentes de exportações uns dos outros. Em 2005, o total exportado pelo G20 foi de US$ 8,2 trilhões. Já em 2021, chegou a US$ 17 trilhões, crescimento de 107%.

Exportação

Entre os principais produtos comercializados pelos integrantes do G20 estão manufaturas, como veículos automotivos, eletrônicos e maquinaria industrial; produtos agrícolas, como cereais, carne e frutas; e commodities, como petróleo, gás natural, minérios e metais. O Brasil exporta a integrantes do G20 aeronaves, petróleo e materiais relacionados, ferro, aço, minérios metálicos e produtos diversos do agronegócio.


Acesse aqui a página oficial da COP 30 • E aqui a lista de notícias da COP 30 na Agência Gov


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