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Governo

‘A ONU não pode ficar silenciosa’, diz Lula ao defender reforma da governança global, em Barcelona

18 de abril de 2026
'A ONU não pode ficar silenciosa', diz Lula ao defender reforma da governança global, em Barcelona
'A ONU não pode ficar silenciosa', diz Lula ao defender reforma da governança global, em Barcelona
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, 18 de abril, que o fortalecimento do multilateralismo e a reforma das instituições de governança global são essenciais para enfrentar os conflitos armados, ampliar a cooperação entre as nações e proteger a democracia. Durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha, Lula cobrou mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas para que o organismo tenha mais representatividade e capacidade de resposta diante de crises internacionais.

A democracia em cada país nosso é da nossa responsabilidade, da responsabilidade cultural do nosso povo. Nós vamos nos virar e o povo de cada país vai encontrar o seu jeito de fazer democracia. Mas o que nos move com muita força é a questão do multilateralismo e a relação entre as nações. Isso é o que me preocupa”, declarou.

REFORMA DA ONU — Lula destacou a necessidade de o planeta defender mudanças estruturais na governança mundial, com ênfase na ampliação e democratização do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, é necessário que os organismos internacionais tenham capacidade real de intervir diante de crises humanitárias e conflitos armados, de modo a preservar a paz e os direitos humanos.
“Hoje é o momento da história da maior quantidade de conflitos armados no mundo depois da Segunda Guerra Mundial. E o Conselho de Segurança da ONU não se reúne. Os seus membros titulares não comparecem. Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir para os cinco membros do Conselho de Segurança. A ONU não pode ficar silenciosa e ver o que está acontecendo no mundo”, defendeu.
Segundo o presidente, a configuração atual do sistema multilateral não reflete a realidade geopolítica contemporânea nem assegura a participação equilibrada das nações nas decisões globais. “Hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual ela foi criada. Os cinco membros do Conselho de Segurança, que quando se criou o Conselho era para garantir a paz no mundo após a Segunda Guerra Mundial, viraram os senhores da guerra”, disse.
GOVERNANÇA GLOBAL — Lula destacou que o fortalecimento das instituições multilaterais é fundamental não apenas para a promoção da paz, mas também para enfrentar desafios transnacionais, como a desinformação e a regulação das plataformas digitais.
“Controlar plataformas digitais e por regras democráticas é uma questão mundial, não é uma questão de um país ou de outro. No Brasil, estamos tentando fazer a nossa parte. Porque a verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Ou seja, para mentir, não tem que explicar. Para se justificar, tem que explicar. E muitas vezes não consegue se explicar. Então, esse é um desafio para nós, chefes de Estado. Porque nós não podemos ficar imaginando fazer coisas sem uma instituição para fazer funcionar”, argumentou.
SOBERANIA DIGITAL — Ao tratar da soberania digital, o presidente defendeu que o ambiente virtual também seja regulado por mecanismos multilaterais, com regras comuns que preservem a soberania dos países e protejam a integridade democrática. “A ONU é um instrumento muito valioso se ela funcionar. E ela precisa funcionar para garantir que, por exemplo, as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode um presidente da República de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Ou seja, esse é o tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E qual é o cenário que a gente tem que brigar? É dentro das Nações Unidas”, sinalizou o presidente.

PREJUÍZOS CIVILIZATÓRIOS — Lula também alertou para os impactos econômicos e sociais pela escalada dos conflitos armados pelo mundo. Segundo ele, guerras e tensões geopolíticas afetam diretamente o custo de vida e agravam a situação das populações mais vulneráveis. “O Trump invade o Irã e aumenta o preço do feijão no Brasil. Aumenta o preço do milho no México. Aumenta a gasolina no outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguém quer. É esse comportamento democrático que os países têm que nós precisamos discutir com muita seriedade. O mundo não está precisando de guerra. Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome. Temos milhões de pessoas analfabetas. Temos milhões de pessoas que não têm energia elétrica. Tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a Covid-19”, relembrou durante seu pronunciamento.
TOMADA DE DECISÕES — Lula frisou ainda a importância das nações ali representadas seguirem no trabalho de evocar uma reformulação da ONU para progredir com os esforços pela manutenção da paz no planeta. Ele também criticou a priorização de gastos militares em detrimento de investimentos sociais e ambientais.
“O que não pode é a gente falando em descarbonização do planeta Terra e os senhores soltando bomba todos os santos dias. O que não pode é o Líbano ser vítima de cada guerra que Israel faz com alguém, o último tiro tem que ser no Líbano. Onde é que vamos tomar decisões? Onde é que vamos parar? Enquanto com Cuba se incomodam porque é um país socialista, o Haiti está do lado de Cuba e o povo morrendo de fome. E ninguém fala nada do Haiti. O povo do Haiti merece respeito também, merece sobreviver e ninguém fala”
MANUTENÇÃO DA PAZ — O presidente também se dirigiu aos líderes e chefes de Estado para enfatizar a vocação brasileira para manutenção e promoção da paz. “Temos que falar todo dia: o Brasil não quer guerra com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia, com o Uruguai, com a Albânia, com a Bolívia. Eu quero paz, quero que o meu país se desenvolva, quero que o meu povo viva bem, que possa estudar. É o que vocês querem também”, concluiu.
AGENDA NA ESPANHA — Orientado pela defesa da democracia, fortalecimento das instituições e combate à desigualdade, o evento integra a agenda que o presidente Lula e comitiva de ministros têm cumprido ao lado do presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, desde a sexta-feira (17), quando ambos os líderes defenderam a regulação das redes sociais durante declaração à imprensa e participaram de cerimônia de assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes — incluindo a assinatura de um Memorando de Entendimento no Campo de Minerais Críticos , cujas bases ampliam cooperação bilateral em toda a cadeia produtiva dos insumos estratégicos, essenciais para a transição energética, a transformação industrial e a segurança econômica dos dois países.

Assuntos Capa, Governo
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