Brasil e Coreia do Sul deram, nesta segunda-feira (23/2), mais um passo para aprofundar a integração produtiva e a cooperação industrial entre os dois países, com foco em inovação, agregação de valor e geração de empregos qualificados.
Durante a visita presidencial a Seul, da qual participam o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, foi assinado o Acordo sobre Comércio e Integração Produtiva entre Brasil e Coreia do Sul.
O instrumento, assinado por Márcio Elias Rosa, estabelece um marco institucional permanente para aprofundar as relações econômicas bilaterais, ampliar o comércio e fortalecer a integração produtiva, com ênfase em inovação, agregação de valor e geração de empregos qualificados.
O secretário-executivo do MDIC avaliou que o acordo firmado entre Brasil e Coreia do Sul se apoia em um ambiente econômico favorável e em uma política industrial estruturada, capaz de sustentar parcerias produtivas de longo prazo.
“Não é possível encontrar, em outro período recente da história do Brasil, indicadores econômicos tão favoráveis quanto os observados nos últimos anos, com pleno emprego, aumento da massa salarial e inflação controlada. Esses resultados criam as condições necessárias para aprofundar a integração produtiva, atrair investimentos e ampliar parcerias estratégicas, como a firmada com a Coreia do Sul”, afirmou Márcio Elias Rosa.
O Acordo contempla cooperação em áreas estratégicas como indústria, agricultura e tecnologia; integração e resiliência de cadeias de valor, inclusive em minerais críticos; manufatura avançada e tecnologias do futuro; economia digital, economia verde e bioeconomia; além da facilitação do comércio e dos investimentos e do fortalecimento das medidas sanitárias e fitossanitárias aplicadas ao comércio agrícola.
Para a implementação das iniciativas, o Acordo institui a Comissão Bilateral de Relações Econômicas e Comerciais, copresidida, do lado brasileiro, pelo MDIC e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e, do lado coreano, pelos ministérios correspondentes. A Comissão será responsável pelo acompanhamento das ações e poderá criar grupos de trabalho temáticos, com participação do setor privado.
A iniciativa também abre caminho para avanços rumo a uma integração econômica mais ampla, inclusive no contexto de eventuais negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul
Na sessão ministerial do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, o secretário-executivo do MDIC pontuou que a expansão sustentável do comércio exterior está diretamente associada a uma política industrial estruturada, previsível e integrada às cadeias globais de valor.
“A melhor forma de ter expansão do comércio exterior é a partir de uma boa política industrial. Não é a eleição de barreiras, a criação de barreiras tarifárias ou não tarifárias, mas política industrial — com foco, objetivos, metas e parcerias”, afirmou.
O Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul funciona como espaço de diálogo entre governos e setor privado, voltado à identificação de oportunidades de negócios, investimentos e parcerias produtivas. A iniciativa busca aproximar empresas dos dois países, estimular a integração produtiva e aprofundar a cooperação em áreas estratégicas da agenda econômica.
Ao tratar da agenda de minerais críticos e tecnologias do futuro, o secretário Uallace Moreira ressaltou a necessidade de reposicionar o Brasil nas cadeias globais de valor, com foco na produção e na internalização de tecnologia.
“O Brasil não quer apenas uma relação comercial com a Coreia do Sul. O Brasil quer uma relação produtiva, de transferência e internalização de tecnologia. O Brasil, no governo do presidente Lula, não aceita mais ser apenas um exportador de commodities. Quer agregar valor, internalizar tecnologia e ter a Coreia como parceiro estratégico nesse processo”, concluiu Uallace Moreira.
Relação Brasil e Coreia do Sul
Em 2025, o intercâmbio comercial bilateral entre Brasil e Coreia do Sul alcançou US$ 11 bilhões, com fluxo relativamente equilibrado entre exportações e importações.
As exportações brasileiras para a Coreia do Sul somaram cerca de US$ 5,5 bilhões, concentradas principalmente em combustíveis minerais — com destaque para o petróleo —, minério de ferro, celulose e produtos do agronegócio, como soja e carnes.
Já as importações brasileiras provenientes da Coreia do Sul, também da ordem de US$ 5,5 bilhões, foram compostas majoritariamente por bens manufaturados de maior intensidade tecnológica, como automóveis e autopeças, máquinas e equipamentos, semicondutores, produtos siderúrgicos, químicos e farmacêuticos.