Memorando de entendimento assinado nesta quinta-feira (12) prevê intercâmbio técnico, colaboração em planejamento, regulação e eficiência logística para o setor
O Brasil e o Reino Unido ampliarão a cooperação técnica no setor ferroviário. O Ministério dos Transportes firmou, nesta quinta-feira (12/2), em Brasília, um memorando de entendimento com a Crossrail International Limited, ligada ao Departamento de Transportes britânico, para promover intercâmbio técnico e colaboração em planejamento, regulação e eficiência logística.
“Sinalizamos que nosso país está comprometido com boas práticas, planejamento responsável e ambientes regulatórios estáveis, elementos essenciais para atrair investimentos e viabilizar projetos estruturados”, destacou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
O acordo estabelece diretrizes para a troca de conhecimento, experiências e boas práticas em áreas como planejamento, governança, regulação, sustentabilidade, segurança operacional e desenvolvimento de modelos de financiamento de infraestrutura. O documento também prevê a criação de um canal de interlocução com outras instituições públicas britânicas, entre elas a UK Export Finance, o Office of Rail and Road, a Transport for London (TfL) e a Network Rail.
Segundo o diretor de desenvolvimento da Crossrail International, Mark Lench, a iniciativa marca o início de uma nova fase de parceria entre os dois países. “Nosso compromisso é assegurar que nosso conhecimento e experiência estejam disponíveis ao Governo do Brasil. Vemos este memorando como o início de uma parceria de longo prazo na malha ferroviária brasileira”, afirmou.
Estiveram presentes na cerimônia a diretora-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Ana Patrizia Lira; o secretário-adjunto do Ministério do Planejamento e Orçamento, Marcelo Moreira; e o conselheiro de Clima, Natureza e Energia da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Graham Knight.
Expansão dos investimentos
O acordo é firmado em um momento de ampliação dos investimentos ferroviários no país. A Política Nacional de Concessões Ferroviárias, lançada em novembro de 2025, estruturou uma carteira de projetos que soma mais de 9 mil quilômetros de ferrovias.
A previsão é realizar oito leilões, com expectativa de atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos e potencial estimado em até R$ 600 bilhões ao longo dos contratos. Entre os empreendimentos previstos estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e corredores da Malha Sul.
“O setor ferroviário de carga passa por um excelente momento, com recorde de produção, redução de acidentes e maior eficiência operacional”, afirmou o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto.
Projetos estratégicos
O avanço das obras também marca o setor. A Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) ultrapassou 35% de execução em 2025 e é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola, ao conectar Goiás a Mato Grosso e integrar-se à Ferrovia Norte-Sul.
Além do transporte de cargas, o Ministério dos Transportes também avança na agenda de passageiros. A pasta identificou trechos com potencial para operação regular ou eventual e selecionou inicialmente seis projetos prioritários. Entre eles está o trecho Brasília (DF) – Luziânia (GO), em fase final de elaboração.