Pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que a confiança dos brasileiros no Governo do Brasil aumentou 12 pontos percentuais entre 2022 e 2025, alcançando 38%, o maior crescimento registrado na América Latina e no Caribe no período. Os dados foram apresentados e debatidos em evento promovido pela Controladoria-Geral da União (CGU) em parceria com a OCDE nesta segunda-feira (9).
O estudo OECD Survey on Drivers of Trust in Public Institutions in Latin America and the Caribbean revela que, em três anos, o Brasil passou de um patamar próximo ou abaixo da média regional para um nível de confiança institucional superior à média da América Latina em diversos indicadores. O país aparece entre os que registram maior confiança no governo.
Entre os destaques do levantamento está o fato de que o Brasil é, em 2025, o país com maior nível de confiança no sistema eleitoral em toda a América Latina, com índice de 48%, nove pontos acima da média regional. A confiança no serviço público praticamente dobrou no período, alcançando 45%, o que representa 10 pontos acima da média latino-americana.
O ministro da Controladoria-Geral da União, Vinicius Marques de Carvalho, apontou que a recuperação revelada no levantamento é fundamental, em especial para nações que passaram por recentes ataques ao regime democrático, como o Brasil. “A confiança é o selo de qualidade que a população dá para a democracia. Confiar no estado, nos agentes, no serviço e nas políticas públicas é o elemento essencial e imprescindível para que nós consigamos estabelecer o regime democrático como algo que tenha perenidade nos nossos países e nas sociedades, para que consigamos avançar na redução das desigualdades, no crescimento econômico, nos desafios relacionados à mudança climática e na agenda de integridade pública e privada que precisamos implementar no país”, destacou o ministro.
O titular da CGU reforçou, ainda, que o papel do órgão e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) foi decisivo na reconstrução de políticas públicas, que resultaram no saldo positivo demonstrado na pesquisa da OCDE. Vinicius Marques de Carvalho citou que a ampla digitalização de serviços e o acesso a programas e benefícios públicos nos últimos anos, além do incremento na participação social, principalmente por meio de ações conduzidas pela Presidência da República, também fazem parte do pacote de mudanças positivas para o país.
A diretora de Governança Pública da OCDE, Elsa Pilichowski, avaliou que o desempenho brasileiro no levantamento foi relevante inclusive pelo ritmo dos avanços. “É importante destacar que a confiança em todas as instituições públicas aumentou no Brasil, em comparação com 2022. Analisando um fator-chave para a confiança, a percepção da integridade pública no Brasil também é mais positiva que em 2022 em todos os indicadores disponíveis. Essas são melhorias bastante significativas em um período relativamente curto de tempo”, ressaltou.
Melhora na percepção sobre serviços e benefícios públicos
A pesquisa também aponta avanços na percepção dos cidadãos sobre a qualidade dos serviços públicos. A avaliação de que os serviços públicos administrativos atendem melhor à população cresceu 22 pontos percentuais entre 2022 e 2025, chegando a 54%. A satisfação com a educação pública (45%) aumentou 15 pontos percentuais, sendo o maior avanço registrado entre os países da região, enquanto a satisfação com o Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu onze pontos (44%), posicionando o Brasil acima da média latino-americana.
Outro dado significativo diz respeito à percepção de igualdade no acesso a benefícios públicos. Neste tema, 48% dos brasileiros afirmam que os pedidos são tratados de forma justa, um aumento de 15 pontos percentuais em relação a 2022 e acima da média regional, que é de 36%.
A confiança dos brasileiros na capacidade do governo de promover melhorias também superou tanto a média da América Latina quanto a dos países membros da OCDE. Neste aspecto, o índice que mede se as pessoas acreditam que os serviços melhorariam se muitas pessoas reclamarem foi de 42%. A organização internacional cita como prática exemplar neste tema os Conselhos de Usuários de Serviços Públicos, administrados pela CGU, criados em 2021 para ampliar a participação da sociedade na avaliação dos serviços governamentais.
A pesquisa da OCDE reconheceu também o impacto do relançamento do Programa Bolsa Família na melhoria da confiança no serviço público. Segundo o organismo internacional, o programa de proteção social é historicamente associado à redução da pobreza e da desigualdade de renda no país, e foi apontado como uma das boas práticas do Executivo Federal.
Segundo a secretária de Integridade Pública da CGU, Patricia Alvares de Azevedo, o fortalecimento da confiança está associado à combinação entre melhoria na entrega de serviços públicos, maior participação social e fortalecimento da integridade pública. “O avanço observado pela OCDE é resultado de ações concretas, como o aumento da transparência, a ampliação das ouvidorias, o uso inteligente de tecnologia para prevenção de irregularidades e a ampliação dos espaços de participação. Ao falarmos de integridade pública, não falamos apenas de combater desvios, mas de contribuir para a melhoria das políticas públicas e garantir que cheguem a quem precisa”, destacou.
Painelista do evento, a secretária-adjunta para Transformação do Estado do MGI, Celina Pereira, reforçou que o aumento na confiança é sinal claro da melhoria da efetividade do Poder Executivo Federal. “Boas políticas públicas e bons serviços públicos são fatores que legitimam o Estado e a democracia. Hoje podemos celebrar esses bons resultados e o objetivo de tudo isso é tornar a vida das pessoas melhor”, pontuou.
Já a pesquisadora e coordenadora da graduação em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Gabriela Lotta, apontou que os dados da OCDE demonstram que o Brasil tem instituições que funcionam e resistem a tentativas de ruptura.
O debate contou ainda com a participação da analista de políticas da OCDE, Mariana Prats. Foram discutidos os desafios para a manutenção da trajetória de crescimento da confiança institucional no Brasil e o cenário comparado entre países.
Metodologia
A pesquisa da OCDE adota o que hoje é considerado o padrão ouro internacional para a mensuração da confiança nas instituições públicas. O levantamento ouviu uma amostra representativa de cerca de 2 mil cidadãos brasileiros, abrangendo todas as regiões do país e diferentes perfis socioeconômicos.
A metodologia combina pesquisa de opinião com modelos estatísticos avançados, capazes de identificar os principais fatores que influenciam a confiança da população, como integridade, capacidade de resposta, confiabilidade, abertura e equidade.
O estudo permite compreender o nível de confiança, identificar fatores associados à evolução e gerar dados comparáveis internacionalmente, relevantes para o aprimoramento da gestão pública.
Atuação da CGU
Entre as iniciativas da CGU que contribuem para o aumento da confiança estão o canal Fala.BR, que permite a comunicação direta dos cidadãos com a Administração Pública Federal; o Portal da Transparência, que publiciza dados sobre o Poder Executivo Federal de forma acessível; o diálogo da pasta com o setor privado; a responsabilização de agentes públicos em casos de irregularidades; as assessorias em integridade pública aos órgãos e entidades da Administração Pública Federal; e o uso do robô ALICE (Analisador de Licitações, Contratos e Editais), ferramenta de inteligência artificial voltada ao monitoramento preventivo de contratações.
De 2023 a 2025, o ALICE contribuiu para uma economia de R$ 5,3 bilhões, valor que supera em mais de cinco vezes os resultados de anos anteriores. Entre 2020 e 2022, a economia foi de aproximadamente R$ 980 milhões.
Confira o estudo na íntegra em OECD Survey on Drivers of Trust in Public Institutions in Latin America and the Caribbean.