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Governo do Brasil cria GT para analisar falhas do sistema de justiça no caso Maria da Penha

2 de junho de 2026
Governo do Brasil cria GT para analisar falhas do sistema de justiça no caso Maria da Penha
Governo do Brasil cria GT para analisar falhas do sistema de justiça no caso Maria da Penha
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O Governo Federal instituiu o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para Estudo do Caso Maria da Penha, uma iniciativa voltada à análise das falhas e dos desafios enfrentados pelo sistema de justiça brasileiro na investigação, processamento e julgamento da tentativa de feminicídio sofrida por Maria da Penha Maia Fernandes em 1983. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União da segunda-feira (1º/6).
A medida integra os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e representa mais um passo no fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Coordenado pelo Ministério das Mulheres, o grupo reúne representantes dos ministérios das Mulheres, da Justiça e Segurança Pública, das Relações Exteriores, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Advocacia-Geral da União (AGU). Também participam, como convidados, Maria da Penha Maia Fernandes, representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM), do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e do Instituto Maria da Penha.
O GTI terá a missão de elaborar um estudo, com perspectiva de gênero, sobre a persecução penal referente à tentativa de homicídio contra Maria da Penha e os procedimentos administrativos relacionados ao caso. Ao final dos trabalhos, será produzido um relatório nacional que reunirá as lições aprendidas, identificará avanços institucionais alcançados desde então e apontará medidas voltadas à reparação simbólica e às garantias de não repetição.
“A história de Maria da Penha é também a história da luta de milhares de mulheres brasileiras por justiça e dignidade. Este grupo de trabalho representa um compromisso do Estado brasileiro com o cumprimento das recomendações internacionais de direitos humanos, com a reparação das falhas reconhecidas no caso e com o fortalecimento permanente das políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. Mais do que revisitar o passado, estamos produzindo conhecimento para fortalecer as respostas institucionais e assegurar que nenhuma mulher tenha seu direito à justiça negado”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
Compromisso com a memória, a justiça e a não repetição
A criação do grupo decorre de acordo firmado em 2022 entre o Estado brasileiro, as peticionárias do caso e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Diante da impossibilidade jurídica de responsabilização dos agentes envolvidos nas omissões e demora injustificada ocorridas à época, foram pactuadas medidas alternativas para o cumprimento da recomendação internacional, entre elas a elaboração de um relatório nacional sobre o caso, ações de sensibilização do sistema de justiça, a realização de um ato de retratação simbólica e iniciativas voltadas à preservação da memória e da verdade.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello dos Santos, ressaltou que mais de duas décadas após a decisão da CIDH, o legado de Maria da Penha segue impulsionando transformações no Brasil: “Este grupo de trabalho será um espaço de reflexão, memória e construção coletiva, reunindo instituições do Governo e da sociedade civil para registrar as lições aprendidas com o caso e fortalecer as políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania tem atuado na articulação interinstitucional necessária para o cumprimento das recomendações internacionais e seguirá contribuindo para que esse processo fortaleça as garantias de não repetição e o acesso à justiça para todas as mulheres”.
O Caso Maria da Penha tornou-se um marco internacional no reconhecimento da violência doméstica e familiar contra as mulheres como violação de direitos humanos. Em 2001, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos responsabilizou o Estado brasileiro pela demora e omissão na condução do processo, decisão que impulsionou mudanças estruturais e inspirou a criação da Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Avanços para fortalecer os direitos das mulheres
Durante a reunião inaugural do GTI, realizada em abril deste ano, representantes dos órgãos participantes destacaram que o trabalho contribuirá para registrar as transformações promovidas pelo Estado brasileiro desde a condenação internacional, refletir sobre as falhas identificadas no caso e fortalecer as respostas institucionais diante da violência contra as mulheres.
Além da elaboração do estudo, o GTI contribuirá para a preservação da memória institucional do caso e para a identificação de caminhos capazes de aprimorar as políticas públicas e o funcionamento do sistema de justiça. A iniciativa busca transformar as lições deixadas por um dos casos mais emblemáticos da história dos direitos das mulheres no Brasil em instrumentos concretos de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
Outras ações em homenagem à trajetória de Maria da Penha
A criação do Grupo de Trabalho Interministerial soma-se a um conjunto de iniciativas conduzidas pelo Ministério das Mulheres para preservar a memória, fortalecer o legado de Maria da Penha e ampliar a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Entre as ações está a implementação do Memorial da Mulher Brasileira – Casa Maria da Penha, fruto de parceria entre o Ministério das Mulheres e a Universidade Federal do Ceará (UFC). O espaço funcionará no imóvel em Fortaleza onde Maria da Penha sobreviveu às tentativas de feminicídio e funcionará como local de memória, educação em direitos humanos e promoção dos direitos das mulheres. A iniciativa, que atende a uma das medidas pactuadas entre o Estado brasileiro, as peticionárias do caso e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, também prevê a criação de uma clínica de direitos humanos na UFC.
Em 2025, a AGU, com apoio do Ministério das Mulheres, também ajuizou ação civil pública contra a disseminação de conteúdos desinformativos sobre a história de Maria da Penha. A medida busca preservar a verdade histórica e proteger a memória de uma das principais referências da luta pelos direitos das mulheres no Brasil.

Assuntos Capa, Governo
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