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Governo

Governo Federal eleva projeção de crescimento do Produto Interno Bruto de 2025 para 2,4%

21 de maio de 2025
Governo Federal eleva projeção de crescimento do Produto Interno Bruto de 2025 para 2,4%
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O Governo Federal elevou de 2,3% para 2,4% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025, mantendo em torno de 2,6% as estimativas para os anos seguintes, de acordo com o Boletim Macrofiscal e as projeções de indicadores macroeconômicos, divulgados na segunda-feira (19/5) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda (MF), em Brasília. “Essa revisão repercute, principalmente, a maior projeção de crescimento para o primeiro trimestre, além de um aumento na projeção de safra”, comentou a subsecretária de Política Macroeconômica da SPE, Raquel Nadal, durante a coletiva para divulgação do Boletim.

Tópicos da matéria
Revisão para IPCA Mercado de trabalho estável Cenário externo Resultado primário

Segundo a SPE, no setor produtivo, a previsão é de alta de 6,3% para o PIB do setor agropecuário, de 2,2% para o da indústria e de 2% para o de serviços. “Para os próximos anos, seguimos esperando o crescimento do PIB ao redor de 2,6%, já incorporando parcialmente nessa estimativa os impactos da transformação ecológica e da reforma tributária, dentre outras políticas mais microssetoriais”, explicou a subsecretária.

Confira a íntegra do Boletim MacroFiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE)

Revisão para IPCA

A SPE também alterou a projeção da inflação medida pelo IPCA para este ano, com alta de 4,9% para 5%, refletindo surpresas nas variações do índice em março, além de alterações no cenário. “De fevereiro a abril, a gente observou uma alta na inflação medida pelo IPCA, de 5,1% para 5,5%. Essa alta repercutiu a maior inflação de preços livres, principalmente serviços e bens industriais. O aumento da inflação de bens está relacionado ainda a impactos defasados do câmbio e, no caso dos serviços, tem a ver com efeitos inerciais e, também, com o mercado de trabalho ainda aquecido”, explicou Nadal.

Além disso, a inflação de alimentos também subiu de fevereiro a abril, devido à menor deflação de produtos in natura e à alta nos preços do café, leite e derivados. A subsecretária destacou, porém, que desde o começo do ano os preços de alguns alimentos típicos do prato do brasileiro caíram, como o arroz, feijão, carnes bovinas e óleo de soja. “O preço do azeite também caiu, e esse movimento pode ser relacionado à retirada temporária do Imposto de Importação”, frisou.

Para a frente, a expectativa da SPE é que o IPCA acelere até cerca de 6,1%, mas voltando aos 5% acumulados em 12 meses até o final do ano, já a partir de setembro. “Até o fim do ano, a inflação de alimentos deve cair, assim como a inflação de serviços, refletindo menores impulsos vindos do mercado de crédito e trabalho por conta da política monetária mais restritiva”, previu Raquel Nadal. Já para 2026, a projeção de IPCA se manteve constante, passando de 3,5% para 3,6%, dentro do intervalo da meta de inflação. De 2027 em diante, espera-se convergência da inflação ao centro da meta.

Para o INPC de 2025, a projeção subiu de 4,8% para 4,9%, também devido a variações pouco maiores do que as esperadas para o índice em março, além de pequenas alterações no cenário à frente. A previsão para a inflação medida pelo IGP-DI de 2025, por sua vez, caiu de 5,8% para 5,6%, puxada pela redução da inflação no atacado industrial, repercutindo a desaceleração nos preços de derivados de petróleo e de biocombustíveis.

As projeções de inflação consideraram taxa de câmbio de R$ 5,86, conforme a mediana do Boletim Focus de 7 de maio, quando a grade de parâmetros foi fechada. Segundo o Boletim, se o câmbio fosse mais próximo de R$ 5,70, conforme utilizado no cenário de referência do Copom de maio, as estimativas de IPCA, INPC e IGP-DI seriam reduzidas. Para o IPCA, por exemplo, “a nossa projeção seria mais próxima de 4,8%”, salientou a subsecretária na coletiva.

Mercado de trabalho estável

Do ponto de vista do mercado de trabalho, a taxa de desemprego continuou praticamente estável desde dezembro, próxima a um patamar mínimo histórico, mas a SPE já vê sinais de leve desaceleração no ritmo de expansão, tanto da população ocupada, como da massa de rendimento real, na comparação interanual. “Essa desaceleração deve continuar nos próximos meses, respondendo de maneira defasada à política monetária mais contracionista, auxiliando no retorno da inflação ao intervalo da meta”, destacou Raquel Nadal.

Acesse a apresentação feita pela equipe da SPE durante a coletiva

Cenário externo

Quanto ao cenário externo, a SPE entende que o acirramento das tensões comerciais e o aumento da incerteza global podem impactar o ritmo de crescimento no Brasil, à medida que as tarifas tendem a afetar os fluxos de comércio internacional, reduzindo a demanda por commodities e postergando decisões de investimento e consumo. O Boletim Macrofiscal ressalta, no entanto, que novas oportunidades de negócios podem emergir com a mudança na dinâmica das correntes de comércio mundial.

“Para os países da América Latina, incluindo o Brasil, nós entendemos que a imposição dessas tarifas pode até ter algum efeito positivo, do ponto de vista da redução da inflação, em particular, e também por esse fator, de que o dólar tem perdido força no mundo, e o real, que já vinha em uma trajetória de recuperação e valorização desde janeiro, hoje se encontra em um patamar mais próximo do terceiro trimestre de 2024”, observou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.

Na visão da SPE, o Brasil pode se beneficiar com a substituição de importações americanas em países mais afetados pelas tarifas, onde também poderão ser adotadas medidas de retaliação. Além disso, os produtos brasileiros podem se tornar mais competitivos para os Estados Unidos, já que as tarifas de 10% previstas para os bens brasileiros são menores que as anunciadas para outras economias. “Com essa nova política comercial, pode haver algum redirecionamento de comércio e isso trazer bens e, eventualmente, serviços mais baratos para outras regiões do globo, como a América Latina”, comentou o secretário.

Esses impactos podem ser positivos para a atividade, se o Brasil ocupar mais mercados com seus produtos, inclusive em países propensos a diversificar sua fonte de fornecimento devido à guerra comercial. “Nós podemos ganhar mercados e isso significa mais demanda externa e, portanto, um maior impulso do ponto de vista da atividade produtiva no Brasil”, explicou Mello.

Outra possibilidade é o Brasil atrair investimentos produtivos, a partir da apreciação do real e da queda das commodities , fatores que podem melhorar o cenário inflacionário. “Obviamente, não tem efeitos imediatos, de curto prazo, mas o Brasil é um país razoavelmente bem posicionado e com uma perspectiva positiva para a frente, para atrair um conjunto de investimentos que, há pouco tempo atrás, nós disputávamos com outros países”, disse ele.

Resultado primário

A subsecretária de Política Fiscal da SPE, Débora Freire, apresentou as expectativas do Prisma Fiscal de maio, divulgado na última sexta-feira (16/5), destacando a melhora tanto no Resultado Primário quanto na Dívida Bruta do Governo Geral, para 2025. “Quando comparamos o Resultado Primário, a gente sai de uma projeção de déficit de R$ 80 bilhões para um déficit de R$ 72,7 bilhões para o ano. É importante ressaltar que o mercado já prevê cumprimento de meta para o resultado primário, visto que essa projeção não desconta os precatórios, que devem ser descontados para fins de aferição da meta, e que tem um montante de R$ 44,12 bilhões”, comentou.

Ela salientou que o Resultado Primário foi revisado pelas instituições de mercado pelo sexto mês consecutivo. “Antes disso, tivemos um processo de deterioração dessa expectativa do início até o final do ano de 2024 e, depois, a gente já observa essa melhora consecutiva do primário, até que se chega nessa projeção de R$ 72,7 bilhões (de déficit), que cumpre meta”, afirmou Débora Freire.


Assista à íntegra da coletiva do Boletim Macrofiscal e das projeções de indicadores macroeconômicos

Assuntos Governo
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