O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ) e o Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBAE/UFRJ) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica voltado ao fortalecimento dos Mosaicos de Áreas Protegidas ( MAPs ) da Mata Atlântica. A iniciativa integra pesquisa, formação, produção de conhecimento e apoio técnico à gestão territorial, com foco na consolidação dos mosaicos como instrumentos estratégicos de governança da sociobiodiversidade e de promoção do desenvolvimento territorial sustentável.
O acordo se insere em um contexto em que o Brasil reúne uma das maiores biodiversidades do planeta e mais de três mil áreas protegidas . Diante da complexidade de gestão desse patrimônio natural e cultural, os mosaicos são apresentados como uma estratégia prevista na legislação brasileira para promover a gestão integrada e participativa de diferentes unidades de conservação e territórios , fortalecendo a articulação entre órgãos públicos , comunidades locais , povos e comunidades tradicionais e pesquisadores .
Entre as ações previstas na cooperação estão o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e metodologias inovadoras voltadas à governança e à gestão inclusiva; a organização de bases de dados sobre os MAPs d o bioma e sobre a produção científica existente; a criação de programas de capacitação para gestores públicos e instituições parceiras; e a realização de iniciativas de difusão de conhecimento para a sociedade.
A diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação ( D IMAN ) do ICMBio , Iara Vasco, destacou que a cooperação representa um passo importante para o fortalecimento da gestão territorial integrada e da atuação em rede nos mosaicos. Segundo ela, a iniciativa amplia a conectividade entre áreas protegidas, instituições e atores sociais envolvidos na conservação e no desenvolvimento sustentável dos territórios. “Esse acordo fortalece a conectividade não apenas física e cultural, mas também institucional entre o Instituto e a UFRJ” , afirmou Iara.
O gerente da Região Sudeste pelo ICMBio , Breno Herrera, reforçou a parceria como um avanço significativo . Ele destaca que a universidade deverá indicar professores e estudantes para atuar na iniciativa, com possibilidade de desenvolvimento de dissertações e teses sobre o tema. “ É um ganho de escala e de amplitude em nossa missão de cuidar da natureza com as pessoas ”, concluiu o analista ambiental .
“Esse Acordo de Cooperação celebra uma parceria histórica entre a UFRJ e o ICMBio desde o seu início , com base no reconhecimento da importância do diálogo entre a academia e a gestão pública para assegurar caminhos e salvaguardas para a agenda da sociobiodiversidade no Brasil” , destacou a pesquisadora da UFRJ, Marta de Azevedo Irving .
Ela explica que a iniciativa busca também contribuir para a formação de recursos humanos qualificados na área da sociobiodiversidade.
De forma geral , a cooperação pretende não apenas ampliar a produção e sistematização de conhecimento sobre os mosaicos , mas também consolidar um espaço permanente de articulação entre academia, gestão pública e sociedade . A expectativa é contribuir para o aprimoramento das políticas de conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento de soluções inovadoras diante dos desafios socioambientais contemporâneos .