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Museu Goeldi contribui com avanços de rede científica na Pan-amazônia

4 de junho de 2025
Museu Goeldi contribui com avanços de rede científica na Pan-amazônia
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Uma das oito instituições cientificas da Rede Bioamazônia, o Museu Goeldi integrou os trabalhos realizados, esta semana, em Iquitos (Peru). Estão em curso projetos para a COP-30 e para médio e longo prazos.

O Museu Paraense Emílio Goeldi e outras sete instituições científicas de países da Pan-Amazônia encerram, nesta sexta-feira (30/5), em Iquitos (Peru), a segunda Reunião Anual da Rede Bioamazônia – Institutos de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade, definindo linhas de atuação conjunta tanto a curto prazo, para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), quanto a médio e longo prazos. “O que é comum entre todos os dirigentes dos institutos de pesquisa da rede é a percepção de que a ciência precisa ser prática, que auxilie no desenvolvimento das comunidades e na resolução de problemas, uma rede cujo resultado dos trabalhos sirva para os tomadores de decisão elaborarem boas políticas públicas”, sintetiza o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., que participou do encontro com mais quatro pesquisadores da instituição.

A estratégia transnacional conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, desde o último dia 26, convergiu o trabalho de cerca de 50 especialistas em quatro áreas temáticas: Bioeconomia; Biodiversidade; Conflitos e Ameaças; e Governança Indígena, liderado pela antropóloga e pesquisadora do Museu Goeldi, Claudia López. Também integraram a comitiva da instituição a ecóloga Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação; a herpetóloga Ana Prudente, coordenadora substituta de Pesquisa e Pós-graduação; e o ictiólogo Alberto Akama. Na ocasião, estiveram presentes Tatiana Schor, chefe da Unidade Amazônia do BID, e Juan Carlos Castro Vargas, ministro de Meio Ambiente do Peru.

Além do Museu Goeldi, fazem parte da rede o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM/BR), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (AM/BR), o Instituto Humboldt (COL), o Instituto Sinchi (COL), o Instituto Nacional de Biodiversidade (ECU), o Instituto de Pesquisa da Amazônia Peruana (PER) e o Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (BOL). Marlúcia Martins reafirma o aporte de cada uma delas em suas principais competências científicas e destaca o aporte brasileiro. “O que temos é uma contribuição bastante grande em relação, por exemplo, à estruturação de banco de dados de biodiversidade, da padronização de amostras”, aponta.

“Outro aspecto diferencial do Brasil são nossos avanços em termos de legislação de proteção do conhecimento tradicional, apesar de termos ainda vários desafios. Estamos avançados em segurança jurídica para realizar acordos. Existem protocolos de consulta e temos uma série de salvaguardas legais para a relação com suas populações tradicionais. Temos um padrão de procedimentos de acesso ao conhecimento tradicional. Nesse ponto, podemos contribuir com as demais instituições e países”, descreve Marlúcia.

Sinergia – Alberto Akama destaca a afinidade exposta pelos pesquisadores. “No meu caso, focamos no grupo de Conflitos e Ameaças. Vários pontos foram discutidos e notamos uma grande similaridade entre os problemas comuns”, explica. Algo também notado por Marlúcia no que se refere à Governança Indígena. “Os avanços são muito importantes, principalmente para a questão das populações fronteiriças, que compartilham territórios entre países. Está sendo proposta a participação dessas comunidades dentro da rede, o que vai torná-la mais orgânica e permitir, de fato, que a gente tenha esse protagonismo das vozes amazônicas, no sentido de demonstrar e propor ao mundo soluções adequadas para se alcançar um patamar de sustentabilidade”, antecipa.

Gabas destaca que todas as instituições-membro são dotadas de competências fundamentais para cumprir os propósitos da rede e, sobretudo, já têm construído uma sólida vinculação com as diversas comunidades originárias e tradicionais da Pan-Amazônia.

COP-30 – Um dos encaminhamentos pactuados durante a semana de trabalho é inserção conjunta durante da COP-30, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Belém, no próximo mês de novembro. “Vamos emitir uma nota conceitual, dizendo quais são as preocupações da rede no que se refere à Amazônia, em nossas áreas de expertise e nossas áreas de atuação. A temática, nós vamos definir no próximo dia 12”, informa Nilson Gabar Jr.

A expectativa é ainda realizar uma exposição fotográfica e promover dois eventos no espaço destinado ao BID no Museu Goeldi. Uma das discussões já estipuladas e que será financiada por um novo parceiro, que é o Centro de Pesquisa Florestal Internacional (Cifor), diz respeito ao manejo do fogo, com intervenção dos membros de dois dos grupos de trabalho da rede, no caso, o de Biodiversidade e o de Conflitos e Ameaças.

A escolha do tema é um dos esforços para desmistificar a responsabilidade atribuída, de forma equivocada, a indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais por incêndios na Amazônia. “Nós vimos o incêndio que aconteceu na Amazônia, ano passado, e que foi um incêndio antrópico, não foram incêndios manejados”, lembra Gabas.

Financiamento – A Rede Bioamazônia conta com apoio técnico e financeiro do BID, no entanto, a expectativa das instituições-membro é ampliar as fontes de financiamento. “Quando você se alinha a outros grupos de pesquisa na Amazônia, no âmbito da rede, você consegue, por exemplo, participar conjuntamente de editais de pesquisa. Há um edital do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] aberto em que deve participar um conjunto de instituições com, pelo menos, dois projetos. Isso é muito importante para mostrar a força que uma rede como essa tem, sendo instituições estruturadas e estruturantes para a Amazônia”, argumenta Gabas.

A criação da Rede Bioamazonia, em 2024, foi motivada pelo momento único que se vive na história da humanidade, no qual se enfrentam múltiplas crises e rápidas mudanças que estão alterando, dramaticamente, as condições de vida no planeta e, em particular, na Amazônia. O bioma amazônico é fundamental para o clima global e para a saúde do conjunto de diferentes ecossistemas, desde os Andes até o Oceano Atlântico, formado por enorme biodiversidade, ainda pouco conhecida, e por numerosos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Por Erika Morhy

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