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Da periferia ao palco: como os Pontos de Cultura formam artistas e transformam trajetórias

4 de maio de 2026
Da periferia ao palco: como os Pontos de Cultura formam artistas e transformam trajetórias
Da periferia ao palco: como os Pontos de Cultura formam artistas e transformam trajetórias
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No Distrito Federal, espaços culturais comunitários revelam talentos, fortalecem identidades e mostram como a cultura pode mudar destinos e ampliar horizontes
Em um País marcado por reconstrução no acesso à cultura, os Pontos de Cultura têm se consolidado como espaços fundamentais de formação artística e cidadã. No Distrito Federal, onde há 198 pontos e pontões reconhecidos, essas iniciativas atuam diretamente na descoberta de talentos, no fortalecimento de identidades e na criação de caminhos possíveis para jovens artistas que, muitas vezes, não se viam nesse lugar.

A trajetória de Matheus Nascimento, do Espaço Inventado, revela como o primeiro contato com um Ponto de Cultura pode ser transformador. “Meu primeiro contato com o espaço foi em uma roda de capoeira que vim participar, fiquei encantado com o local, parecia que tinha atravessado um portal e desde então entrei no grupo de capoeira que treina no espaço, me envolvi cada vez mais com os eventos e pessoas que frequentam o espaço e a Vila Cobra Coral. E de um ponto de encontro, cultura e apoio, hoje, o espaço também virou minha casa”, conta.

A experiência no espaço não se limita à vivência cultural, mas também se desdobra em processos de formação artística e construção de identidade. “Sendo um local de muita vivência, aqui é um ponto de encontro de muitos artistas e consequentemente, vou conhecendo novos trabalhos e possibilidades através do espaço. Também é aqui que venho desenvolvendo o que considero meu trabalho de vida dentro da fotografia, registrando os movimentos e saberes da cultura afro-brasileira”, explica.

Ao mesmo tempo, a fala de Matheus evidencia um dos desafios ainda presentes no setor: a profissionalização na cultura. “Creio que não, até hoje venho ‘tateando’ esse local de profissionalização. É possível ser um profissional da cultura, mas isso não é uma realidade pra todos… no meu caso, ainda transito entre fazer profissionalmente e fazer quando dá, fazer como hobby, fazer pela importância que tem para memória loca l, ainda estou tentando identificar esse caminho profissional”, afirma.

Mesmo diante dessas complexidades, o papel dos Pontos de Cultura é visto por ele como estruturante. “É necessário ter locais para o fazer artístico, para aprender, para conhecer quem veio antes de você. E os pontos de cultura são meios que permitem a formação e descoberta de novos artistas. Principalmente, a autodescoberta, muitas pessoas não sabem que é possível ganhar dinheiro com cultura, não sabem nem que podem ser artistas”, destaca.

Foto: Arquivo pessoal

Essa dimensão de descoberta e transformação também aparece na atuação do coletivo Distrito Drag, representado por Ruth Venceremos, produtora cultural e cofundadora. Criado em 2017, o grupo nasce de uma construção coletiva que já se conecta, desde o início, com a rede Cultura Viva. “O Distrito Drag é fruto de uma construção coletiva entre artistas e ativistas do DF. Desde o início, mantemos laços com outros coletivos e Pontos de Cultura, porque acreditamos que fortalecer a cultura passa por construir redes”, afirma.

A arte drag, nesse contexto, se apresenta como uma linguagem potente de transformação social. “Ela provoca reflexões sobre papéis de gênero, sensibiliza e toca em temas importantes. É expressão de luta e resistência da comunidade LGBTQIA+”, explica. Para além da cena artística, o impacto também se dá no território. “Mudamos o imaginário sobre as pessoas LGBT no DF, promovendo capacitação, inserção no mercado cultural e inspirando outras iniciativas”, destaca. Segundo ela, espaços culturais comunitários têm papel central nesse processo. “Espaços culturais comunitários protagonizados por pessoas LGBTQIA+ são fundamentais para incluir e dar visibilidade a corpos dissidentes. Eles já são, em si, espaços de diversidade.”

Foto: Luís Nova/Correio Braziliense

A valorização das expressões populares também aparece como eixo central das transformações promovidas pelos Pontos de Cultura. É o que destaca Jorge Simas, agente cultural e integrante da Mamãe Taguá, iniciativa ligada à cultura carnavalesca no DF. “O Mamãe Tagu á nasceu de um grupo de artistas com atuação na cidade, que queriam marcar um momento, com um grupo carnavalesco de dramaturgia e circense”, explica.

Para ele, os Pontos de Cultura cumprem um papel estratégico na articulação entre comunidade e poder público. “Os pontos de cultura fazem a comunicação da comunidade com o estado, que houve os grupos de arte e possibilita esses grupos de se comunicarem com outras, mantendo uma rede de ações populares”, afirma.

Essa atuação reverbera diretamente no território. “Acabamos por sermos a voz da comunidade para o estado, com as nossas ações artísticas. O reconhecimento da comunidade faz com que possamos representar os anseios desta comunidade no que diz respeito à arte”, destaca. E completa ao falar da importância de espaços nacionais de visibilidade: “Essa visibilidade nos referenda para buscarmos espaço a nível local e nacional.”

Essas trajetórias dialogam com histórias já conhecidas do grande público, como as de Silvero Pereira, que também t eve contato com iniciativas culturais de base comunitária em seus percursos. Em comum, essas experiências mostram que a cultura, quando acessível e enraizada nos territórios, pode ser um fator decisivo na transformação de trajetórias individuais e coletivas.

Esse conjunto de histórias e experiências estará reunido na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que se consolida como um espaço de encontro, reconhecimento e articulação dessas trajetórias que nascem nos territórios e ganham projeção nacional. Como resume a representante do Distrito Drag: “Eventos como a Teia são essenciais. Eles conectam boas práticas culturais, justiça climática e diversidade, inspirando e fortalecendo transformações em outros territórios.”

Rede Nacional de Cultura Viva

Atualmente, o Brasil conta com mais de 1 5, 5 mil organizações reconhecidas como pontos de cultura, que podem acessar políticas públicas de fomento à cultura.

O Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura é o principal instrumento da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que há mais de duas décadas fortalece iniciativas culturais comunitárias e amplia o acesso a recursos públicos para ações culturais realizadas nos territórios.

Coordenado pelo Ministério da Cultura, o Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura alcançou organizações reconhecidas em todo o país, presentes nos 26 estados e no Distrito Federal. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, foram emitidos mais de 10 mil certificados, um crescimento de 246,5% em relação aos 4.329 certificados concedidos entre 2004 e 2023.

Espalhados por todo o território nacional, os Pontos de Cultura realizam atividades que vão de oficinas artísticas e formação cultural à preservação de festas populares, pesquisas sobre patrimônio cultural e ações de valorização das identidades locais.

Teia Nacional

Divulgação

Entre os dias 19 a 24 de maio de 2026, será realizada a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, maior encontro da rede Cultura Viva no país. A edição acontece em Aracruz (ES), marcando a retomada do evento após 12 anos e, pela primeira vez, em território indígena. Com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, a Teia reunirá agentes culturais, mestres e mestras das culturas populares, povos e comunidades tradicionais, gestores públicos e representantes da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura ( CNPdC ), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, a TVE, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Assuntos Capa, Governo
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