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Governo

Em cúpula regional, Governo do Brasil defende autonomia da América Latina e do Caribe

21 de março de 2026
Em cúpula regional, Governo do Brasil defende autonomia da América Latina e do Caribe
Em cúpula regional, Governo do Brasil defende autonomia da América Latina e do Caribe
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Na X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) neste sábado, 21 de março, em Bogotá, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, leu aos líderes o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto é um chamado ao fortalecimento do fórum como um obstáculo à tentativa de transformar a região em zona de influência. “Mas a América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, disse.
“Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A CELAC representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional. Na América do Sul, a solidez institucional do MERCOSUL oferece uma boa plataforma para ampliar nossa integração”, destacou o discurso lido por Vieira.
O evento ocorre em momento particularmente desafiador para a América Latina e Caribe, caracterizado por intensificação da polarização regional e de pressões extrarregionais. Nesta Cúpula, a Colômbia transmite a presidência pro tempore da organização para o Uruguai.
CRIME ORGANIZADO — O ministro enfatizou que uma região desarticulada favorece o crime organizado. Por isso, a colaboração entre a América Latina e Caribe, sem abrir mão da soberania de cada país, é o melhor escudo. O discurso enfatizou que para debelar organizações criminosas é preciso atingir toda a cadeia de comando, sobretudo as mais altas esferas.
“Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Só o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, afirma o texto.
Na fala, ele citou o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do Governo do Brasil que visa a fortalecer o enfrentamento às facções criminosas no País. O arcabouço busca garantir criar novos instrumentos legais para o Estado Brasileiro investigar de forma mais célere, asfixiar o braço financeiro das facções e endurecer a  responsabilização desses grupos ultraviolentos. “Nosso objetivo é melhorar a articulação entre as polícias e reforçar o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual e internacional.”

CUBA – durante a X Celac, o presidente Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, no Centro de Convenções Ágora, em Bogotá. Em discurso proferido no sábado, o presidente brasileiro defendeu a autonomia de Cuba. “O que estão fazendo com Cuba? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”, questionou Lula.

DEMOCRACIA —  A urgência da defesa da democracia também foi um destaque no discurso lido por Vieira. Entre exemplos que enfraquecem a democracia, foram indicadas as campanhas de desinformação, orquestradas dentro e fora dos países, e que minam a credibilidade dos sistemas eleitorais. “A manipulação de algoritmos e a produção de conteúdos falsos por inteligência artificial distorcem a realidade e desequilibram o jogo político. Também põem em risco a integridade dos mais vulneráveis”, pontuou.
Leia também:Lula destaca que guerras feitas por países ricos querem impedir que os demais cresçam
INTEGRAÇÃO REGIONAL — A fala também lança luz ao apoio do Governo do Brasil à presidência colombiana da CELAC, a fim de estimular parcerias extrarregionais do agrupamento. “Mantivemos diálogo com China, União Europeia e África. Esses países e blocos veem na América Latina e no Caribe potencial que nós mesmos não sabemos reconhecer e aproveitar. É um paradoxo que uma região com tantos recursos ainda padeça de tantos males. Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura.”
MINERAIS CRÍTICOS — A América Latina tem a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo. Desses minérios depende a fabricação dos chips, baterias e placas solares que dão corpo à revolução digital e à transição energética. O discurso do presidente Lula aos líderes da CELAC ainda enfatizou que é justo que a América Latina e o Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor, desde a extração até o produto final, do beneficiamento à reciclagem.
“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, manifesta.
FORTALECIMENTO DO ESTADO — Atualmente, quase um terço da população da América Latina e do Caribe trabalha por conta própria. Mais de 36% dos latino-americanos e caribenhos acima de 60 anos ainda participam da força de trabalho. “Nossos cidadãos estão envelhecendo e têm direito a uma aposentadoria digna. O papel dos governos é trabalhar pelo bem-estar das famílias”, salienta o discurso de Lula lido pelo chanceler.
INFRAESTRUTURA — O discurso de Lula também aborda a importância da integração da infraestrutura da região. “Precisamos de rotas por terra, água e ar, do Atlântico ao Pacífico, por onde os produtos possam circular e os cidadãos possam transitar. Necessitamos de uma rede elétrica interconectada, para garantir e baratear a oferta de energia. Em um mundo com bloqueios marítimos e cortes no abastecimento de insumos, essa integração é ainda mais importante”, apontou.
COMÉRCIO E ECONOMIA — Por fim, o texto de Lula destacou que, com a interligação da América Latina e Caribe, será possível buscar na própria região mercadorias e serviços que atualmente são obtidas de fornecedores externos. “As exportações intrarregionais na América Latina e no Caribe correspondem a apenas 14% do total do nosso comércio. Para reverter esse quadro, precisamos incentivar a internacionalização das nossas empresas.”

Assuntos Capa, Governo
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