DIREITOS HUMANOS

Abraço de 50 segundos com Lula deixou propostas de estudante para outro momento

Daniel Vidal Moura, de 13 anos, queria falar sobre acessibilidade, combate ao preconceito e participação dos jovens na política; ele também disse sonhar com a Presidência.
Abraço de 50 segundos com Lula deixou propostas de estudante para outro momento
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O encontro entre Daniel Vidal Moura e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durou cerca de 50 segundos. Tempo suficiente para o estudante brasiliense, de 13 anos, agradecer pelas políticas públicas e dizer que também deseja ser presidente, mas não para apresentar todas as ideias que havia levado à homenagem realizada do lado de fora do Palácio da Alvorada.

Daniel estava acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, quando soube que eleitores fariam uma homenagem pelo aniversário de 81 anos de Lula. Ele decidiu faltar à aula de futebol para participar. No momento do abraço, vestia uma camisa da seleção brasileira com o número 13, roupa que, segundo a família, passou a ter significado especial.

“Queria dizer a ele que quero ser presidente também”, afirmou o estudante ao relatar o encontro. Entre os assuntos que gostaria de ter discutido estavam políticas públicas, acessibilidade, preconceito e formas de ampliar a participação dos jovens na política.

Propostas para pessoas com deficiência

Daniel tem menos de 5% da visão nos dois olhos por causa da Amaurose Congênita de Leber, uma doença genética identificada quando ele tinha dois meses de vida. A experiência com a deficiência visual está relacionada às propostas que pretende defender.

Uma das sugestões mencionadas pelo estudante é a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. O Brasil conta, desde janeiro de 2023, com a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Daniel também afirma que o país precisa ampliar as condições de acessibilidade. Ele cita pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e limitações no transporte público como dificuldades encontradas em diferentes lugares.

“Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, disse. Na avaliação do estudante, o governo deveria ajudar mais pessoas a obter equipamentos que permitam acompanhar atividades escolares e utilizar computadores.

Teclado em braille e rotina escolar

Para estudar, Daniel usa um teclado eletrônico em braille conectado ao computador. O recurso permite que acompanhe os conteúdos escolares e também contribui para o acesso a notícias e para as conversas que mantém com colegas sobre temas sociais e políticos.

“Eu acho que o governo deveria ajudar todos a terem um assim”, afirmou ao mostrar o equipamento. A sugestão foi apresentada como uma das medidas que gostaria de discutir com Lula, caso tivesse mais tempo de conversa.

A mãe do estudante, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, conta que lia para o filho desde os primeiros meses de vida e procurava estimulá-lo a conhecer diferentes assuntos. Segundo ela, Daniel sempre demonstrou interesse por história e geopolítica e, mais tarde, passou a acompanhar temas econômicos, notícias internacionais e desigualdade.

O estudante menciona como um dos assuntos que chamaram sua atenção a saída do Brasil do Mapa da Fome e a taxa de desemprego, que ele afirma ser a menor desde 2015. Esses temas aparecem ao lado de discussões sobre preconceito, direitos e participação social.

Debate sobre preconceito e participação política

O capacitismo está entre as formas de preconceito que Daniel e a família discutem em casa. O pai afirma que conversa com os filhos sobre a necessidade de não excluir o estudante por causa da deficiência visual. Fernando também aborda o racismo a partir de sua própria experiência, enquanto Daniel se interessa, nas aulas de história, pela escravidão brasileira e suas consequências.

“Nós falamos para ele que ninguém pode ser capacitista ou racista ou homofóbico. Não pode ser preconceituoso com ninguém”, disse o pai.

Daniel defende que os jovens participem mais das discussões públicas, mesmo antes da idade mínima para votar. Para ele, o interesse dos adolescentes pela política pode contribuir para o desenvolvimento do país.

“A gente só pode votar depois dos 16 anos, mas nós, jovens, temos que participar mais. O Brasil precisa dos jovens. O país vai crescer se os jovens estiverem interessados nisso”, afirmou.

O estudante também disse que gostaria de incentivar os colegas a acompanhar debates políticos e a participar de discussões sobre os rumos do país. Segundo ele, a presença dos jovens em manifestações e outros espaços de participação social mostra que os adolescentes podem se envolver com temas públicos.

As propostas relatadas por Daniel foram apresentadas como ideias que ele gostaria de levar ao presidente. A divulgação do encontro não informa que tenha havido compromisso de Lula com a criação do ministério sugerido, com a distribuição dos equipamentos ou com outras medidas mencionadas pelo estudante.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil