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Validação de diplomas é apontada como barreira para refugiados no mercado de trabalho

Ação em São Paulo ofereceu orientação profissional, revisão de currículos, apoio documental e acesso a vagas para 136 migrantes e refugiados de 23 países.
Validação de diplomas é apontada como barreira para refugiados no mercado de trabalho
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A demora na validação de diplomas está entre os obstáculos enfrentados por refugiados e migrantes que tentam exercer no Brasil as profissões que tinham em seus países de origem. A avaliação foi apresentada durante a ação “Conexões que Transformam”, realizada no centro de São Paulo, com atividades voltadas à inserção profissional.

Segundo Eliane Franco Figueiredo, cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil e líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes, havia médicos entre os participantes que ainda não podiam trabalhar na área de formação porque o processo de validação dos diplomas demora. A iniciativa ofereceu orientação para empregabilidade, capacitação, revisão de currículos, tradução para o português, apoio com documentação e acesso a oportunidades de trabalho.

Participação de 23 nacionalidades

Promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, pela Konecta Brasil e pela Konecta Foundation, o evento ocorreu durante todo o dia de sábado (17), na sede da Aliança Brasil Cidadã. Ao todo, 136 migrantes e refugiados de 23 países se inscreveram para participar das atividades.

Além das orientações para quem buscava emprego, a programação incluiu workshops sobre empreendedorismo e mercado de trabalho. Também foram oferecidas dicas para a preparação de currículos e entrevistas, além de vagas de emprego.

O venezuelano Victor Arce, de 65 anos, participou da ação interessado em abrir uma microempresa. Ele vive no Brasil há um ano com a mulher, Morelba Margarida Aquilar, de 64 anos, e a filha. Na Venezuela, trabalhava como marceneiro profissional. Enquanto não consegue emprego, o casal vende artesanato.

Victor afirmou que procurava ajuda para desenvolver ideias e entender como montar um negócio no país. Ele também relatou que a esposa veio ao Brasil em razão de um problema de saúde e recebeu atendimento em dois meses, depois de enfrentar custos elevados com o tratamento na Venezuela.

Emprego e empreendedorismo

Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, informou que 70% dos participantes estavam desempregados e que mais da metade demonstrava interesse em empreender. Segundo ela, esse movimento ocorre principalmente por necessidade, e não necessariamente pela identificação de uma oportunidade de negócio.

Para Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil, um dos objetivos da atividade era ajudar os participantes a trabalhar ou fazer as adequações necessárias na documentação, além de manter os currículos preparados e atualizados. Ele também afirmou que foram realizadas palestras sobre o funcionamento do mercado de trabalho e apresentadas oportunidades de emprego.

De acordo com Simonato, os organizadores conseguiram doações que seriam destinadas à entrega de cestas básicas e brinquedos para crianças. A divulgação da ação não informa quantas vagas foram oferecidas, quantas pessoas conseguiram emprego ou quais negócios foram efetivamente abertos após o atendimento.

Idioma e documentação

Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), afirmou que muitos refugiados chegam ao Brasil com formação e experiência profissional, mas precisam se adaptar às condições encontradas no país.

Segundo Vivian, o idioma costuma ser a primeira dificuldade, já que poucos países têm o português como língua principal. A urgência para conseguir renda, a falta de rede de apoio e os problemas de moradia também podem levar pessoas com diploma de nível superior a aceitar o trabalho disponível.

Ela explicou ainda que quem deixa o país de origem às pressas, em razão de perseguição ou guerra, nem sempre consegue organizar ou levar consigo os documentos necessários. A falta de tradução ou de regularização da documentação pode dificultar o acesso ao mercado profissional.

Os participantes inscritos na ação eram principalmente da Venezuela, do Congo e do Haiti. Também foram citadas pessoas vindas do Afeganistão, do Irã, da Síria e da Palestina. Vivian afirmou que refugiados e pessoas em situação de necessidade de proteção internacional têm acesso a políticas públicas de educação e saúde no Brasil, mas ainda enfrentam dificuldades para conseguir trabalho compatível com sua trajetória.

Orientações disponíveis

Para quem não participou da atividade em São Paulo, Vivian indicou a plataforma Help, disponibilizada pelo Acnur, com informações sobre documentação, trabalho e renda. A ferramenta permite procurar organizações de atendimento por estado e município.

A Aliança Brasil Cidadã também oferece cursos de capacitação ao longo do ano, segundo Sidnea Evangelista, vice-presidente da entidade. Entre as opções mencionadas estão informática, inteligência artificial e manicure, com inscrição gratuita. Informações também podem ser buscadas nas redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil e da Konecta Brasil ou pelo e-mail refugiados@grupomulheresdobrasil.org.br.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil