DIREITOS HUMANOS

Federação União Brasil-Progressistas elege 32 dos deputados pretos e pardos

Grupo reúne 23,7% dos 135 parlamentares pretos e pardos eleitos para a Câmara; pesquisadora afirma que a representação racial não define uma agenda comum sobre racismo.

A federação formada por União Brasil e Progressistas foi a que mais elegeu parlamentares pretos e pardos para a Câmara dos Deputados, com 32 cadeiras. O grupo representa 23,7% dos 135 eleitos neste domingo (4), segundo a cientista política Evelyn Apolinária.

Apesar da presença desses parlamentares, a pesquisadora afirma que a representação racial não determina uma atuação uniforme no Legislativo. Para ela, a orientação ideológica e o partido de cada deputado influenciam a definição de posições e prioridades sobre racismo e igualdade racial.

Sub-representação permanece

O total de deputados pretos e pardos caiu de 139 para 135 em relação à composição anterior da Câmara. Dos eleitos, 77 foram reeleitos. Na avaliação de Evelyn, entretanto, a redução de quatro cadeiras é menos relevante do que a permanência da distância entre a presença da população negra e sua representação no Congresso.

Professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub) e doutoranda pela Universidade de Brasília (UnB), Evelyn afirma que pessoas negras são pouco mais da metade da população e correspondem a cerca de metade das candidaturas à Câmara. Ainda assim, ocupam pouco mais de 25% das cadeiras.

Ela relaciona essa diferença às condições de disputa eleitoral. Entre os fatores citados estão os recursos de campanha, o acesso ao financiamento e as estruturas partidárias, que, segundo a pesquisadora, continuam distribuídos de forma desigual. Evelyn também avalia que regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não foram suficientes para eliminar a distância na representação.

Atuação sobre racismo

Para a cientista política, o número de parlamentares negros não permite concluir, por si só, qual será a orientação ideológica de cada um nem indica a formação de uma agenda legislativa única. A presença de representantes de um grupo, segundo ela, não assegura a defesa de interesses idênticos, que podem variar entre os parlamentares.

Evelyn afirma que a atuação antirracista no Legislativo costuma se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda. Na avaliação dela, um Congresso mais deslocado à direita tende a reduzir a prioridade de novos projetos de combate ao racismo, de ampliação de políticas afirmativas e de aumento do orçamento destinado à igualdade racial.

A pesquisadora ressalva, porém, que não se trata de prever o desaparecimento dessas pautas. “Eu falaria em risco de menor prioridade e de maior conflito, não em ausência garantida de pautas”, declarou.

Fatores para a próxima legislatura

Entre os elementos que podem influenciar a produção legislativa sobre igualdade racial, Evelyn cita o resultado do segundo turno presidencial e a relação que será estabelecida entre o Executivo e o Legislativo. Ela também menciona o papel da bancada negra e sua presença no colégio de líderes como fatores capazes de contribuir para a permanência do tema na agenda, mesmo diante de uma maioria menos favorável.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.